29/01/2014

O FENÔMENO CAIR - EVANGÉLICOS EM CRISE

O FENÔMENO CAIR - EVANGÉLICOS EM CRISE
POST REEDITADO
Bom pessoal esse estudo foi tirado do livro - "Evangélicos em Crise" do Paulo Romeiro, 1999.Um trecho do livro que nos mostra o quanto essa doutrina 'cair no espírito' se mostra anti-bíblica,visto as condições que ocorre e quais exemplos os defensores usam para defender esta heresia. Bom Estudo!


"Um outro modismo religioso largamente praticado e incentivado entre os neopentecostais e carismáticos é o de cair, mencionado ironicamente por alguns como o "movimento do cai-cai". No inglês, é conhecido como "Slain in the Spirit" (Morto no Espírito). Este fenômeno foi verificado nos Estados Unidos através do ministério de Maria B. Woodworth-Etter por volta do ano de 1885. Ela mesma relata que muitos ímpios e escarnecedores foram os primeiros a cair debaixo do poder de Deus. (Patrick H. Alexander, Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements (Grand Rapids, Michigan, E.U.A., Zondervan Publishing House, 1988), p. 789-90.) Depois dela, muitos outros pregadores seguiram tal prática, como Kathryn Kuhlman (de quem Benny Hinn aprendeu), Kenneth Hagin e muitos outros. Tal fenômeno, disseram e dizem eles, é produzido pelo poder do Espírito Santo.Várias passagens da Bíblia são citadas, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, para defender o ritual de cair no Espírito. Não há condições de analisar todas aqui, mas vamos às mais comuns.Balaão é lembrado por muitos que tentam defender tal prática, pois a Bíblia diz que ele caiu em êxtase (Nm 24:4). Entretanto, não se pode esquecer de que Pedro se referiu a Balaão como alguém que amou o prêmio da injustiça e perverteu o caminho do Senhor (2 Pe 2:15). Judas fala daqueles que caíram no erro de Balaão (Judas 11). Na carta à igreja de Pérgamo, a referência que o Senhor faz sobre Balaão não é nada recomendável: "Tenho, todavia, contra ti algumas cousas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem cousas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição" (Ap 2:14). Foi Balaão quem levou o povo de Israel a prostituir-se em Baal-Peor (Nm 25:13 e 31:16). Balaão é tido na Bíblia como um adivinho e foi morto pelo exército do Senhor como inimigo de Israel (Js 13:22). Assim, a experiência de Balaão não deve servir de exemplo para qualquer cristão.Um outro episódio é o de Saul na casa dos profetas em Ramá, quando profetizou diante de Samuel e esteve nu, deitado em terra durante um dia inteiro e uma noite inteira (1 Sm 19:23, 24). Quanto a esse incidente, a NIV Study Bible (Bíblia de Estudos Nova Versão Internacional, p. 405), comenta: "Saul ficou tão prostrado pelo poder do Espírito de Deus ao ponto de ser impedido de levar adiante a sua intenção de tirar a vida de Davi". O registro bíblico informa que Saul já havia-se rebelado contra Deus quando viveu essa experiência. O texto diz ainda que Saul ficou nu. Ora, se essa passagem for usada para ensinar que o fenômeno de cair no Espírito deve ser um procedimento normal no ministério cristão, por que as pessoas não ficam nuas também?Outra passagem é a de 2 Crônicas 5:14, que relata sobre a dedicação do templo de Salomão: "...de maneira que os sacerdotes não podiam estar ali para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do SENHOR encheu a casa de Deus". Quando se compara esta passagem com outras semelhantes nas Escrituras (tais como Êx 40:34, 35 e Ap 15:8), torna-se claro que a presença de Deus era tão intensa que os sacerdotes não podiam entrar no templo. Não há portanto aqui qualquer base para se instituir tal prática na Igreja.São usados também os textos que falam dos profetas Ezequiel (1:28; 3:23; 44:4) e Daniel (8:17, 18), em que, devido à manifestação da glória do Senhor, caíram com seus rostos em terra. Entretanto, quando acontecia tal manifestação na Bíblia, ela era geralmente acompanhada de temor, reverência e atitude de adoração. Num dos eventos, a Bíblia diz que os homens que estavam com Daniel sentiram muito medo, fugiram e se esconderam (Dn 10:7).Há alguns exemplos de pessoas que caíram por causa da manifestação do poder de Deus no Novo Testamento. Um deles aconteceu no monte da transfiguração. Ao ouvir a voz que veio da nuvem, os discípulos caíram sobre seus rostos com grande medo (Mt 17:5, 6). Quando ia para Damasco com o intuito de perseguir os cristãos, Saulo de Tarso foi subitamente envolvido por uma forte luz, caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" (At 9:3, 4 e 26:14). Pode ser que o medo e o fato de serem inesperadamente envolvidos por uma luz mais resplandecente que o Sol tenha provocado a queda de Paulo e dos que o acompanhavam. Mas certamente não é por causa de uma luz como essa que as pessoas estão caindo nas reuniões de Benny Hinn e de alguns movimentos pentecostais e carismáticos.Mesmo no dia de Pentecostes, quando houve uma poderosa manifestação do Espírito Santo através de um vento impetuoso e línguas de fogo pousando sobre os discípulos, não há qualquer informação de que eles tenham caído, pois os discípulos estavam assentados (At 2:1-4).O arrebatamento de Paulo mencionado em 2 Coríntios 12:1-4 também é usado para dar legitimidade ao fenômeno de cair. Mas o relato bíblico aqui nada diz sobre cair. Pode ser que tal fato tenha ocorrido quando ele foi apedrejado e tido como morto em Listra (At 14:19, 20).Por último, vem o exemplo de João na ilha de Patmos, quando o Senhor ressurreto lhe apareceu. João descreve assim o que lhe aconteceu: "Quando o vi, caí a seus pés como morto. Porém ele pôs sobre mim a sua mão direita, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último" (Ap 1:17). Esse relato de João é muito parecido com o de Daniel (Dn 10:9). Além de cair, João sentiu medo, pois o Senhor lhe disse: "Não temas". As pessoas que estão caindo, como dizem, pelo poder de Deus, estão tendo visões como João e Daniel? É certo que não.Na Inglaterra, a repórter de um jornal foi levada a cair no Espírito muito contra a sua vontade. Ela não era crente e nem se tornou crente após a experiência. (Sword & Trowel (Londres, Inglaterra, Metropolitan Tabernacle, n. 3, 1994), p. 2.) Ora, não existem na Bíblia exemplos de um homem derrubando o outro. Sempre que o fenômeno acontecia, era o próprio Deus provocando o fenômeno ou causando-o através de um anjo (Mt 28: 24). Um outro fato que não deve ser esquecido é que toda vez que a Bíblia relata de homens que passaram por tal experiência, ela foi acompanhada de reverência, temor e adoração, e eles sempre caíram sobre seus rostos, bem diferente das experiências que acontecem nos círculos neopentecostais e carismáticos, onde as pessoas caem para trás.As Escrituras dão a entender no livro de Isaías que são os ímpios que caem para trás: "...ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; mas não quiseram ouvir. Assim, pois, a palavra do SENHOR lhes será preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um. pouco aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para trás, e se quebrantem, se enlacem, e sejam presos" (Is 28:12, 13).O mesmo pode ser observado no Novo Testamento quando João narra a prisão de Jesus: "Sabendo, pois, Jesus todas as cousas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? Responderam-lhe: A Jesus, o Nazareno. Então Jesus lhes disse: Sou eu. Ora, Judas, o traidor, estava também com eles. Quando, pois, Jesus lhes disse: Sou eu, recuaram e caíram por terra" (Jo 18:4-6). O texto diz que os que vieram prender Jesus recuaram e caíram. Isso não provocou qualquer mudança neles. Ao contrário, prosseguiram com a prisão de Jesus. Já Mateus fala que os guardas que vigiavam o túmulo de Jesus tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos devido ao terremoto causado pelo anjo que removeu a pedra do túmulo de Jesus (Mt 28:2-4).Há ainda o relato sobre Ananias e Safira, os quais caíram mortos por um castigo de Deus diante do apóstolo Pedro (At 5:5, 10). O fato causou tanta comoção que muitos evitaram envolver-se com os discípulos (At 5:13). Já pensaram se a experiência de Ananias e Safira se repetisse hoje com a mesma freqüência com que se sopra, joga o paletó e se "cai no Espírito"? Seria uma tragédia. Ainda bem que o nosso Deus, o Deus da Bíblia, é muito bom!Alguns tentam relacionar o "cair no Espírito" com os fenômenos ocorridos nos avivamentos passados nas reuniões de João Wesley, na Inglaterra, e de Jonathan Edwards, Charles Finney e outros, nos Estados Unidos. Contudo, Alan Morrison mostra que há uma diferença entre o fenômeno que ocorre hoje e os ocorridos nos avivamentos dos séculos 18 e 19:---" Os fenômenos daquela época ocorreram como resultado da poderosa pregação da cruz baseada na Bíblia, de um senso esmagador do pecado do homem diante de um Deus infinitamente santo, do chocante reconhecimento da iminente realidade da punição eterna no inferno e de um desejo desesperado de livrar-se da chama ardente do juízo de Deus. Nos verdadeiros avivamentos, qualquer "cair no Espírito" que tenha ocorrido foi resultado de um sentimento de horror ao pecado e tristeza causada a um Deus todo-poderoso - certamente uma experiência que ninguém gostaria que se repetisse consigo mesmo." (Alan Morrison, folheto intitulado Falling For The Lie - Caindo para a Mentira. Londres, Inglaterra, Diakrisis Publications, The Manse, Market Place).)---E ainda que haja ocorrido tais fenômenos nos avivamentos passados, eles não estão acima da autoridade bíblica e nem servem de base para se estabelecer regras de fé e prática na Igreja. Que a Bíblia seja a única a ditar normas quanto a questões espirituais, e não as experiências vividas por terceiros.Perguntei a alguém por que as pessoas nessas reuniões caem para trás e não com o rosto em terra, como na Bíblia. A explicação que recebi foi que caindo assim tornava-se mais fácil para os que ficam por trás segurá-la no momento da ministração. Mas por que as pessoas caem? J. Lee Grady, diretor editorial da revista Charisma, uma revista que promove o movimento carismático e neopentecostal nos Estados Unidos, acredita que Deus pode realmente tocar alguém de forma sobrenatural. Concordo com ele. Por outro lado, Grady reconhece que existe uma outra razão para tal fenômeno e explica: --- "Trata-se de um comportamento aprendido, uma tradição transmitida pelos precursores pentecostais, como Maria Woodworth-Etter, e pelos evangelistas de cura divina, como a badalada Kathryn Kuhlman. No ministério de Woodworth-Etter noMeio-Oeste, pelo final do século 19, as pessoas que caíam pelo poder de Deus eram consideradas como estando debaixo de uma profunda convicção de pecado. Quando os carismáticos caem no Espírito, entretanto, raramente têm a ver com tal convicção." (J. Lee Grady, What Happened to the Fire - O Que Aconteceu com o Fogo? Grand Rapids, Michigan, E.U.A., Chosen Books, 1994), p. 121.)--- O próprio J. Lee Grady compartilha seu testemunho pessoal que mostra muito bem alguns problemas oriundos de tal prática:--- "Muitas vezes eu fiquei em pé numa fila de pessoas esperando para um evangelista pentecostal ungir-me ou orar pela cura. Em quase todos os casos, o pregador colocava sua mão suada na minha testa e começava a me empurrar para trás. Como eu me recusava a ceder e cair nos braços dos pegadores, o evangelista me repreendia brandamente, dizendo: "Não resista ao Espírito". Quando tornava-se claro que eu não iria me juntar aos meus amigos no chão, ele se dirigia para o próximo à minha esquerda e começava a orar por ele, empurrando-o gentilmente, até que ele caísse. Tenho observado também evangelistas derrubando as pessoas no chão através da força bruta, atingindo-os na testa" ---Apesar de muitos textos bíblicos serem usados na tentativa de se provar a legitimidade de tal fenômeno, o próprio Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements (Dicionário do Movimento Pentecostal e Carismático) reconhece que a Escritura não oferece qualquer apoio ao fenômeno como algo a ser esperado ou buscado na vida cristã normal (p. 790). O Dicionário acrescenta ainda: "A evidência para o fenômeno de „cair no Espírito‟ é, portanto, inconclusiva. Do ponto de vista experimental, é inquestionável que, através dos séculos, os cristãos têm experimentado um fenômeno psicológico no qual as pessoas caem; além disso, elas têm atribuído o fenômeno a Deus. É igualmente inquestionável que não existe qualquer evidência bíblica para a experiência como algo normal na vida cristã" (p. 791).Reconheço que Deus tem poder para tocar alguém hoje de tal forma que a pessoa venha a cair. De modo algum sou contra a verdadeira manifestação do poder de Deus. Esta não me preocupa nem um pouco, pois quanto mais, melhor. O que realmente me preocupa são os abusos gerados em torno de tal prática. Estes trazem mais transtornos e divisões para o Corpo de Cristo do que edificação espiritual. "


Texto tirado do livro: Evangélicos em Crise- Paulo Romeiro. Páginas: 71 a 77
Análise sobre o livro: PULPITO CRISTÃO
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